Ele certamente marca horas, minutos e conta os segundos. Olhando para ele parece que tudo é tão simples como dois ponteiros a girar e marcar números.
Por fora o mundo não é tão complicado assim, o relógio dourado também não, mas a partir da hora que se tenta entende-lo para configurá-lo para despertar às sete horas, vê que suas engrenagens por dentro dele são bem complexas.
Totalmente a corda, sendo de funcionar apenas da vontade de alguém lhe dar corda. O relógio dourado me diz que mesmo sendo “dourado” em palavras, a atitude de despertar apenas na hora certa é a garantia de uma hora perfeita a ser feliz. Disse-me também que comigo uma vez seu amigo tempo errou, porém antes do ultimo natal, ele me citou que o tempo nunca erra, e que se ele um dia eventualmente erra será que para tu pense que o tempo não é perfeito para todos, mas quando se sabe lidar com um relógio, os ponteiros do tempo sorriem a você.
Sua aparência dourada e seu tic-tac constante sempre me lembra a ela que tanto tempo ficou longe de mim e que agora muito tempo ao seu lado tentarei ficar. A quem a ele olhar perceberá a importância de um amor ao longo prazo de alguém, ser amado ao tempo é bom, o foda é interpretar os conceitos que as linhas do tempo nos da, pois entende-las é reconhecer a vida.
Tendo em vista o dito modo de viver, ao compasso do relógio ao seu lado, tendo certeza que ele esta curtindo o som que tu escutas, ele lhe retornará uma pausa no tempo, que por ela será vagaroso o beijo da flor. Fala-te que tem planos para o futuro enferrujar, mas lhe deseja ao seu lado, que tenhas alguém para dar corda, e apreciar as horas calmas e serenas na varanda, mas certamente tomando um bom café.
Sempre tenho o relógio dourado em minhas mãos, tenho medo que ele se perca em suas doze horas, a complexidade de suas equações de sentido de giro não chega nem perto da dor que eu iria sentir ao talvez um dia eu lhe perder. Lembro-me bem, o dia que comprei o relógio dourado. Uma vitrine tímida indisposta, mas que atrás de seu vidro havia um relógio vermelho, um preto e o dourado. Quase sempre mais chamativo, o relógio atraiu-me a vê-lo mais de perto e sentir o que ele sentia com as mesmas expectativas para com o tempo.
Memórias ao relógio amado.
Postagem por: Breno Luiz Fiorentin
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